Autores - Histórias da Teledramaturgia .
Atire a primeira pedra quem nunca comentou entre amigos, ou mesmo entre desconhecidos, o capítulo da novela? Emocionou-se com o beijo do par romântico ou se encheu de raiva com as atitudes do vilão? Novelas, minisséries, seriados e especiais, esses modernos folhetins surgidos no século XX, estão de tal forma presentes na cultura e no imaginário do brasileiro que já foram incorporados à vida diária. Os mocinhos e bandidos da TV caminham lado a lado com o público e seus dramas reais, protagonizando aventuras que proporcionam o entretenimento e ajudam a montar um grande painel de diferentes épocas da história do país.
Para saber de onde saem as histórias que, ano após ano, mobilizam espectadores brasileiros e estrangeiros, chega ao mercado Autores ? Histórias da Teledramaturgia. São dois livros contendo perfis, depoimentos e a lista de trabalhos de 16 autores de teledramaturgia da TV Globo, organizados por ordem alfabética - Aguinaldo Silva, Alcides Nogueira, Antonio Calmon, Benedito Ruy Barbosa, Carlos Lombardi, Euclydes Marinho, Gilberto Braga e Gloria Perez; e João Emanuel Carneiro, Manoel Carlos, Maria Adelaide Amaral, Miguel Falabella, Ricardo Linhares, Silvio de Abreu, Walcyr Carrasco e Walther Negrão.
Com 482 páginas cada, os livros são resultado de cerca de 70 horas de entrevistas e reúnem perfis, depoimentos e fotos exclusivas dos autores em seu ambiente de trabalho ou em cenários que ilustram seu universo ficcional, garantindo uma rica fonte de conhecimento e diversão para todos que apreciam boas histórias. Os escritores da TV Globo falam sobre suas trajetórias profissionais, métodos de trabalho, universos de criação, a relação com o público e o futuro da telenovela, além de contarem como constroem suas tramas, de que forma lidam com a audiência e que mudanças as novelas sofreram ao longo dos anos. A publicação também aborda passagens curiosas de muitas obras que marcaram a cena televisiva nos últimos 50 anos, desde os tempos dos teleteatros e adaptações de radionovelas, até os mais recentes trabalhos de ficção produzidos na TV Globo.
DICA DE DVD
CAPOTE
FRANCISCO MALTA
O cinema e o jornalismo são linguagens específicas que tem como objetivo maior apresentar os fatos e seus diferentes pontos de vista. A película conta uma história, a reportagem também. Ambos buscam humanizar essa história e fazer com que chegue ao seu leitor/telespectador, o mais real e humano possível. Os temas apresentados no cinema por mais que sejam datados do imaginário criativo, caminha em uma linha tênue ao do jornalismo. O cinema busca na realidade narrativas para construir suas histórias, ao passo que o jornalismo já traz em si a fonte que é a realidade humana, nua e crua.
O escritor Truman Capote pesquisa sobre o assassinato de quatro pessoas em uma pequena cidade do Kansas, o que lhe dá material para um de seus livros mais famosos. Este é Capote, filme estrelado por Philipe Seymour Hoffman e dirigido por, Bennett Miller. A película recebeu cinco indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Philip Seymour Hoffman), Melhor Atriz Coadjuvante (Catherine Keener) e Melhor Roteiro Adaptado. Philipe Seymour Hoffman levou a estatura de melhor ator.
Em novembro de 1959, Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) lê um artigo no jornal New York Times sobre o assassinato de quatro integrantes de uma conhecida família de fazendeiros em Holcomb, no Kansas. O assunto chama a atenção de Capote, que estava em ascensão nos Estados Unidos. Capote acredita ser esta a oportunidade perfeita de provar sua teoria de que, nas mãos do escritor certo, histórias de não-ficção podem ser tão emocionantes quanto às de ficção. Usando como argumento o impacto que o assassinato teve na pequena cidade, Capote convence a revista The New Yorker a lhe dar uma matéria sobre o assunto e, com isso, parte para o Kansas. Acompanhado por Harper Lee (Catherine Keener), sua amiga de infância (autora do romance: O sol é para todos), Capote surpreende a sociedade local com sua voz infantil, seus maneirismos femininos e roupas não-convencionais. Logo ele ganha a confiança de Alvin Dewey (Chris Cooper), o agente que lidera a investigação pelo assassinato. Pouco depois os assassinos, Perry Smith (Clifton Collins Jr.) e Dick Hickock (Mark Pellegrino), são capturados em Las Vegas e devolvidos ao Kansas, onde são julgados e condenados à morte. Capote os visita na prisão e logo nota que o artigo de revista que havia imaginado rendia material suficiente para um livro, que poderia revolucionar a literatura moderna.
Rodado em apenas 36 dias. Capote vai além de uma cinebiografia, é um making of da construção de um romance: A Sangue Frio, livro que consagrou o escritor Truman Capote. A trama é retrato do Fausto moderno, O Deus e o Diabo que habita dentro de cada um de nós. Nesse sentido Capote é um personagem dentro de sua própria história, capaz de despertar amor e ódio.
A aproximação entre Capote e Smith é uma linha tênue para chegar à verdade dos fatos. O egocentrismo do escritor, para fazer o “grande romance de não-ficção” o torna um Diabo de calças. Capote é um filmaço e Philip Seymour Hoffman entra definitivamente para galeria dos grandes atores.
Ficha Técnica
Título Original: Capote
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 98 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2005
Site Oficial: www.capoteofilme.com.br
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